A Covid-19 e os impactos e consequências para as periferias da Região Metropolitana de Campinas

créditos – Renato

Qual verdade podemos encontrar em todos os aspectos dessa nova pandemia que assombra o mundo? Sabemos que além das muitas perdas de vidas, outras consequências acabam por aflorar em todo o mundo como se fosse a cobrança de uma duplicata vencida. Não vamos nos ater às conspirações e teorias da internet, muito menos das fakenews que a cada dia evoluem junto com a velocidade da banda 5.G., vamos nos ater principalmente as mazelas sociais que junto com a pandemia parecem invencíveis e desta vez querem cobrar um preço muito alto e quem vai pagar a conta todos nós sabemos.

 

As consequências: paralisia social e econômica, abandono social e finalmente a emersão do mau gerenciamento público administrativo.

 

Segundo pesquisa e estudo realizados pela Fundação Feac (Federação das Entidades Assistenciais de Campinas), as áreas que têm maior possibilidade a serem atingidas são: o Jardim Florence, Jardim Rossin, região em torno da Fazenda Santa Genebra e nos distritos de Sousas e Joaquim Egídio, CDHU San Martin, Aparecidinha, Jd. São Marcos, Núcleo Res. Gênesis, DIC’s, Jd. Campo Belo, Flamboyant, Jd. Paulicéia e  Oziel/Monte Cristo. Já as áreas Centrais Jardim Londres e Garcia aparecem com maior taxa de grupo de risco e densidade demográfica. A Feac faz um trabalho contínuo de monitoramento das condições socioeconômicas dos bolsões de vulnerabilidade social de Campinas e já tinha uma série de dados, que foram revisados, com um olhar sobre o novo vírus. Foram utilizados também os dados do CENSO 2010 e suas variáveis. O estudo contempla três diferentes perspectivas de agravamento a disseminação do novo coronavírus no município de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde, a OMS.

 

Segundo a própria pesquisa os dados não representam necessariamente que essas regiões serão as mais críticas, pois, tudo vai depender do comportamento da própria população com as medidas de afastamento social e higiene.

 

Mas nos leva a crer que toda essa população estará por sua conta e risco, coincidentemente essas áreas abrigam as maiores áreas periféricas de Campinas, existem espaços em Campinas em que nenhum morador tem acesso ao saneamento básico, o que os expõe a falta de recursos para as recomendações da OMS em relação a higienização básica contra a propagação do COVID-19.

 

Tudo isso demonstra a emersão das más administrações públicas, que ao longo de anos perpetuaram – se através do abandono e do esquecimento social.

 

São nessas comunidades que vivem o povo, o povo  que trabalha, mas que também abriga a maior parte dos desempregados da RMC que nos dias atuais conta com aproximadamente 220 mil desempregados, sendo que  55 mil procuram por trabalho há mais de dois anos. A estimativa faz parte do estudo feito pelo Observatório da PUC-Campinas, que mostra a mais dura realidade, a paralisia social e econômica que é transformada em estatísticas a cada ano e configura – se na bolha nacional de desempregados que já ultrapassa a marca de 12,3 milhões de pessoas.

 

São essas áreas que abrigam a maior parte da força de trabalho do Município, uma força de trabalho que não ganha sequer mais que um salário mínimo, pessoas que estão por conta própria e que o isolamento social já faz parte do seu dia a dia, mais que agora estão também a mercê do Covid-19, um vírus letal que não respeita idade e tão pouco classe social, mas que se torna ainda mais letal quando se trata de condições de sobrevivência e quando falamos em condições para essa parte da população elas são quase que inexistentes.

 

O abandono social já é grande causa das mortes das grandes Metrópoles, em Campinas não seria diferente. O que está incomodando justamente nesse momento é que não dá pra esconder todas essas atrofias sociais que permeiam o sofrimento do morador da periferia de todas as cidades do Brasil.

 

Transporte sucateado, falta de saneamento básico, falta de acesso ao Sus, educação desigual e ruim. Com todos esses condicionantes o impacto torna – se de imediato catastrófico, pois ainda que saibamos que a responsabilidade não é do trabalhador, bombardeios ideológicos atribuem que a quebra econômica é pura e simples culpa do trabalhador. Quando o Estado não assume sua responsabilidade e passa adiante a sua meia culpa, a Constituição Brasileira em seu art. 5º  diz que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

 

Pois é dever do Estado assegurar o bem estar do cidadão, por mais que tenha esquecido disso, o Estado tem a obrigação pois seus provimentos são garantidos através de retenção e recebimento de impostos e esses impostos são para prestação de ajuda e serviços em prol do seu cidadão. Por que então nesse momento, apenas neste momento não cumpre com a sua primordial função que é garantir o bem do cidadão?  Ao contrário de todo estado de São Paulo, Campinas que conta com 1.204.073 habitantes segundo último levantamento realizado pelo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 1º de Julho de  2019, o decreto de quarentena passou a vigorar no dia 22 de Março de 2020 publicado em edição extraordinária do Diário Oficial do Município com validade até o dia 12 de Abril, o prefeito de Campinas (SP), Jonas Donizette (PSB), antecipou a quarentena decretada pelo Governo do Estado de São Paulo.

 

Essa decisão foi acompanhada pela maioria das cidades que compõem a Região Metropolitana de Campinas, que conta com 20 Municípios (Americana, Artur Nogueira, Campinas, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba, Itatiba, Jaguariúna, Monte Mor, Morungaba, Nova Odessa, Paulínia, Pedreira, Santa Bárbara d’Oeste, Santo Antônio de Posse, Sumaré, Valinhos e Vinhedo), com um total de 3,2 milhões de habitantes, de acordo com a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2018, sendo a segunda maior região metropolitana do Estado de São Paulo em população. Economicamente é responsável direta por 8,75% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.

 

Grande parte dos Estados e Municípios decretaram estado de calamidade pública, uma situação anormal, que implica no comprometimento substancial da capacidade de resposta do poder público ao ente atingido, diga-se de passagem que foi uma decisão acertada quanto a pandemia do covid-19, mas que todas essas resoluções foram tomadas por que a maioria dos Estados e Municípios no Brasil sofrem do mesmo mal, todos estão quebrados, endividados, além de muitos contarem ainda com o mau gerenciamento público administrativo.

 

No país, há 65 mil ventiladores, segundo dados do Ministério da Saúde, o que equivale a três equipamentos para cada dez mil habitantes. Desse total, 46,6 mil estão no SUS.

 

Os dados do estudo  com o diagnóstico territorial e mapeamento das populações mais vulneráveis ao Coronavírus, em Campinas, já foram compartilhados com o poder público e estão disponíveis no site da fundação: Disponivel em: https://www.feac.org.br/portfolio-items/mapeamento-das-populacoes-mais-vulneraveis-ao-covid-19 acessado em maio de 2020.

 

Texto de Eddie Junior

Revisado por Roseane Moreira

foto do Eddie

Luiz Claudio Alves, ou Eddie Junior Radialista a 20 anos na cidade de Campinas a sete anos em jornalismo na Rádio CBN Campinas editor e criador do site imprensapreta.com da Região Metropolitana de Campinas

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