Afrobetização

carolina maria de jesus
Carolina Maria de Jesus
Saiba mais: https://www.geledes.org.br/negra-ex-catadora-e-favelada-voce-conhece-escritora-mineira-lida-em-14-linguas/

2 de maio de 1958.
 
“Eu não sou o indolente. Há tempos que eu pretendia fazer meu diário. Mas eu pensava que não tinha valor e achei que era perder tempo.

… Eu fiz uma reforma em mim. Quero tratar as pessoas que eu conheço com mais atenção. Quero enviar um sorriso amável as crianças e aos operários.”

Carolina Maria de Jesus.


Nas aulas de língua portuguesa você já estudou algum livro desta escritora negra? Carolina teve um de seus livros – Quarto de Despejo traduzido em mais de 13 idiomas desde países da Europa, assim como na América latina e só ficou conhecida na literatura brasileira após a sua morte.

 
Você conheceu na escola, no ensino fundamental ou até mesmo no ensino médio: Milton Santos o maior Geógrafo brasileiro? Graduado em Direito, que se destacou, por seus trabalhos em diversas áreas da geografia, em especial nos estudos de urbanização do Terceiro Mundo. Foi um dos grandes nomes da renovação da geografia no Brasil ocorrida na década de 1970.

 
Na atualidade que vivemos são inúmeras, a discriminação e a invisibilidade da nossa cultura, do nosso povo, da nossa história, das tantas vidas periféricas  que perdemos todos os dias pelo racismo. Para isto, se faz necessário uma nova pedagogia. O papel da Educação é fundamental para reconhecermos a nossa negritude. Neste momento ressalto que a nossa matriz é baseada nos conhecimentos eurocentrados, ou melhor, toda a leitura de mundo, processos históricos, religiosos e culturais têm sido baseados na educação eurocêntrica.

 
A descolonização do pensamento, requer produzirmos conhecimentos centrados em nossas histórias, em nossas matrizes africanas, afro-brasileiras e indígenas. A Lei nº 10.639 de 2003 estabeleceu que a história e cultura afro-brasileira e indígena fossem inseridas na educação do país. Ainda assim, os livros que carregam a informação sobre outros personagens fundamentais para a história e a formação da identidade brasileira chegam a passos lentos nas escolas do Brasil.  Existe um esforço para que essa lei seja respeitada, mas falta potencializar a descoberta de metodologias para aplica- lá.

 
Por isto é necessário que passemos urgente pelo processo de Afrobetização: Afrobetizar para as nossas relações, Afrobetizar para as nossas identidades e pertencimentos,  Afrobetizar para trazer o conhecimento africano e afrobrasileiro para as nossas representatividades, Afrobetizar para as nossas raízes culturais, ancestrais e religiosas. Afrobetizar para que as possibilidades e evidências de protagonismo do nosso povo, seja respeitado e valorizado.

 
Afrobetização é a resignificação de uma nova pedagogia, uma pedagogia afro centrada que protagoniza e empodera o povo afrobrasileiro, nas suas especificidades desde as séries iniciais ao ensino superior. A pedagogia da estética do povo negro, da religião e da cultura, dos costumes e saberes, da arte, da dança, da arquitetura e da literatura e outros mais …

Para isto, é imprescindível que parta de nós construirmos estas práticas e metodologias, o racismo e a discriminação racial, mata todos os dias o nosso povo, a nossa história e principalmente a nossa identidade.


É preciso resgatarmos as nossas referências, a nossa história! A história de vida e de experiências dos nossos ancestrais, a história de Carolina e de Milton Santos, a história de dona Maria, de Dona Josefa e do seu Benedito, a minha história e a sua!


Texto elaborado por Cristina Silveira de Oliveira.

Revisado por Roseane Moreira.


Me chamo Cristina Silveira de Oliveira Sou pós graduada em escolas restaurativas com ênfase em direitos humanos. Atualmente trabalho com ensino profissionalizante. Coordeno a pastoral afro brasileira no Paraná e sou conselheira municipal do Conselho da igualdade étnico racial de Curitiba.

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