O QUE FOI A ABOLIÇÃO?

Edição do jornal carioca "Gazeta de Notícias" de 13 de maio de 1888
Edição do jornal carioca “Gazeta de Notícias” de 13 de maio de 1888
Disponível em: https://www.todamateria.com.br/lei-aurea/

Como os negros mantiveram – se depois da abolição? Que tal abolição é essa?  O que é liberdade? Aliás, essa tal abolição foi uma liberdade aos negros ou manobra política?

Para responder esse caso podemos buscar uma interpretação num trecho da música do Gilberto Gil, “A Mão da Limpeza”:

 

O branco inventou que o negro
Quando não suja na entrada
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Vai sujar na saída, ê
Imagina só
Que mentira danada, ê…

…Mesmo depois de abolida a escravidão
Negra é a mão
De quem faz a limpeza
Lavando a roupa encardida, esfregando o chão
Negra é a mão
É a mão da pureza …

 

Para Trevisan (1952), essa é uma violência disfarçada, carregada de humilhação, que marca muito a sociedade brasileira. Antes de ser assinada a lei valia a lei do chicote visível, depois de assinada a liberdade viram-se em uma regularização da escravidão disfarçada.
         Podemos ver as diferenças entre o discurso e a real liberdade. Muitos caminhos hão de trilhar, depois da Lei Áurea ser assinada, pois além de ter a tal liberdade em mãos. Mas se viu longe da lei de igualdade perante a toda sociedade, mas em a sua abominação, na prática eram vistos como um não cidadão e todos os preconceitos possíveis sofriam. Para os negros não havia trabalhos dignos nem a prática educacional eram destinadas. 

Para Florestan Fernandes (1979, p. 46) apud Gil (2019, p. 218), para os negros ficou apenas a poeira da estrada, submergida na economia de subsistência, com as oportunidades medíocres, trabalhos livres das regiões mais ou menos estagnadas economicamente. Pelo que trata o autor parte do pressuposto de que o negro devia lutar para conseguir seu auge, ou pelo menos o reconhecimento na sociedade.  

Mas o negro quando usa de sua dificuldade para lutar, sempre chega à vitória. A vitória é árdua e muitas vezes são reconhecidas após a partida do lutador, como exemplo podemos lembrar do ícone da consciência negra no Brasil, Zumbi dos Palmares que só fora reconhecido em 21 de março de 1997 através da Lei n° 9.315 de 20 de novembro de 1996, mesmo que a luta de Palmares não tenha nada a ver com a luta da abolição.

Nesse contexto de luta das populações tradicionais vivemos em um processo de reconhecimento sempre. Reconhecimento frente às autoridades, tanto para a sociedade quanto para a própria população negra. Há uma luta por cidadania, por políticas voltadas a classe negra, visibilidade social e reconhecimento social, não podemos nos silenciar.

 

Referências:

CANTALICE, TIAGO – Zumbi herói nacional, Coordenador de Proteção do Patrimônio Afro brasileiros FCP – Fundação Cultural Palmares, 2019. Disponivel em:

http://www.palmares.gov.br/?p=53642  acessado em 15 de Abril 2020.

GIL, TIAGO LUÍS – História e Historiografia da escravidão no Brasil – Curitiba – Inter Saberes, 2019.

TREVISAN, LEONARDO, 1952 – Abolição: Um suave Jogo Político? São Paulo: Ed: Moderna, 1988.

 

 

Texto de José de Lima Marques

Revisado por Roseane Vieira Moreira

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