O Racismo não dito e a dor em primeira pessoa

racismo institucional

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Em nosso dia – a – dia, muitas vezes não muito revelados, porém arraigados dentro de nossos seres, está o tal racismo e o preconceito racial e institucional, que atravessa os nossos afazeres, mais comuns. 

Vou contar um pouquinho desse sentimento …

Estou com meus alunos em frente ao auditório de uma universidade bem famosa e muito conhecida aqui no Paraná. Aguardando para entrarmos para uma palestra sobre educação. Quando fui abordada por uma senhora de salto alto e terninho, pedindo – me para que eu secasse o corredor, pois alguém deixou cair água e poderia causar um acidente.

De imediato virei – me  educadamente (aprendi com minha mãe) e lhe respondi: Você pode procurar o pessoal da higienização, eles sempre passam por aqui e estão identificados com um uniforme.

A moça assustou – se, olhou – me fotograficamente, de baixo para cima e saiu sem falar nada, percebi que não gostou da minha resposta. A porta do auditório abriu e me posicionei para entrar com meus alunos/as. 

Pensei várias coisas naquele momento:

Poxa… Ela identificou – me como se eu fosse a faxineira.  Subjugou – me sem ao menos perguntar quem eu era. Tratou – me de forma preconceituosa e discriminatória, quando me olhou de uma forma pejorativa e como alguém que quer me colocar num padrão exclusivo  subalterno.

O fato de estar de calça jeans, camiseta e tênis não me faz inferior e nem ser confundida com alguém que possa ser desprezada pelo salto alto e terninho.

Também refleti sobre o que é passar a vida em um ambiente ocupado em sua maioria por pessoas brancas. O quanto faz falta termos representatividade e referências neste espaços. No entanto, minha reflexão ainda se prolonga…  

Somos mais da metade da população e não estamos na mesma proporção com relação a exercer nossos direitos e ocuparmos os mesmos espaços profissionais.  Há ausência das pessoas negras nos postos decisórios da nossa sociedade, nas universidades, no mundo corporativo e na política. 

Temos uma jornada longa pela frente, as reflexões são necessárias para que avancemos e possamos continuar caminhando. E que bom que nossa história, nossa ancestralidade, nossas referências permitem – nos sempre estarmos em movimento. Em busca de algo maior e significativo para a transformação de algo mais justo e igualitário também para o nosso povo!

Em dados: 

Mulheres Negras receberam em 2018, em média, menos da metade dos salários dos homens brancos.

Apenas 29 % dos cargos de gerência são exercidos por pessoas pretas e pardas.

Um jovem preto ou pardo tem 2,7 vezes mais chance de ser assassinado do que um branco.

75,4 % das pessoas mortas em intervenções policiais entre 2017 e 2018 eram negras.

A taxa de conclusão do ensino médio entre pretos e pardos de 20 a 22 anos é de 61,8% entre brancos da mesma faixa etária é de 76,8%.

14,3% dos jovens entre 18 a 24 anos pretos/as estão matriculados no ensino superior.

Revista eletrônica:

Agência de notícias do IBGE 2018. Disponivel em : https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias.html acessado em 13 de abril de 2020.

Texto elaborado por Cristina Silveira de Oliveira.

Revisado por Roseane Moreira.

Me chamo Cristina Silveira de Oliveira Sou pós graduada em escolas restaurativas com ênfase em direitos humanos. Atualmente trabalho com ensino profissionalizante. Coordeno a pastoral afro brasileira no Paraná e sou conselheira municipal do Conselho da igualdade étnico racial de Curitiba.

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